20 de dezembro de 2016

Monólogo meio desordenado sobre uma escrivaninha reorganizada e o que ela era.


Fiz uma história de mim mesmo, comecei a evitar meia palavra pausada na garganta e comecei a gritar. Contei o que se passava para meus dedos, e como tudo aquilo tirava toda a beleza dos personagens das crônicas que não foram escritas por todos os dias que eu poderia ter respirado mais fundo. Sempre pressionei a caneta, tentando tornar as coisas mais nítidas em vão, rasguei vários papéis rabiscados, antes mesmo dos rabiscos serem concluídos. Lembro disso agora que troquei… por uma que fosse mais intensa, e que eu não precisasse marcar a folha de baixo sem pelo menos riscar a de cima, agora eu só preciso respirar, suar um pouco, fechar os olhos, mas depois eu consigo, e percebo que o lixeiro está menos cheio de bolas de papel.
Ainda tenho algumas dúvidas, aliás, não sei o que teria sido se tudo tivesse sido escrito. Ao menos tenho o que foi o passado como um quadro abstrato que entra no meu consciente todos os dias em que o vejo de uma maneira diferente. E esse quadro está aqui, ou ali, e algumas vezes no dia ele cai sobre mim, eu movo ele com cuidado, e quando ele está no lugar, já não é o mesmo que eu apanhei e que talvez me machucou. Mas não quero falar de quadros, abstratos, nem passados que poderiam ter sido escritos com minha caneta nova. Hoje é superficial, é esmaecimento para espaço novo.
Quero colocar um cacto nessa escrivaninha, os papéis e as canetas já estão prontas, acho que vou precisar de um lenço também.

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