Fotografia: Rhiain Bower
Começou o dia, me enrolei
novamente com o lençol que praticamente já se juntou ao que meu corpo é,
frágil, forte, caloroso e melancólico. Uma sensação boa se espalhou pelo meio
esticado do meu braço, meio que dor, meio que coisa boa, que vem quando a gente
se alonga. E, ao me alongar, me desprendi do peso dos meus olhos, e do ar
confortável e não desafiador de uma boa noite de sono.
Abri as janelas e uma brisa fria
bateu no meu rosto, que flutuou quando meus olhos fecharam tentando captar a
mais bela sensação que normalmente uma brisa pode oferecer a alguém. Posso me
considerar um bom admirador dessa sensação, eu geralmente busco ela para tirar
qualquer peso que aponta no meu peito, ou qualquer pensamento ruim que pode vir
qualquer dia, mas naquela manhã era para me sentir mais feliz do que já estava,
o mais feliz. E, completando o ritual básico de um bom começo de um bom dia,
procurei o perfume que a rosa que você me deu, e que estava na janela em um
vaso cor de rosa.
Peguei meus chinelos e fui para a
cozinha, sentia o cheiro do café antes mesmo de fazê-lo, o sol entrava por uma
janelinha que ficava a cima da mesa e clareava um cacto poético que ficava no
centro em cima de uma renda de crochê branco. Uma pintura meio abstrata que
ficava em frente à mesa também recebia a luz e criava um ponto de cor sobre
todo o ambiente, atraindo todo olhar que havia ali.
Logo depois você apareceu na
porta, seu olhar pisciano me dizia que o dia seria maravilhoso porque
estaríamos juntos. Nos sentimos felizes porque não tínhamos medo do amor, é uma
pena que as pessoas de hoje em dia não amem, apenas sentem medo da solidão,
será que elas sabem o que é o amor descascado e livre do que não se pode ser
dispensado individualmente? Pensei nisso, observando a sensação, peguei as
xícaras, mas não comentei sobre.
Aquela manhã me abraçava, como eu
abraçava você, e a cada sorriso dos muitos que eu tinha ao seu lado sempre
havia aquela necessidade inexplicável, com cheiro de café, de dizer o quanto eu
precisava da sua presença sempre ao meu lado. Saímos, e minha facilidade em desabar
parecia bem segura, meu coração estava cheio, eu pulava por dentro, nós
brilhávamos mais que o sol, mais que nós mesmos podíamos brilhar.
Tudo parecia um infinito cheiro
de café em uma infinita manhã com quem se ama.
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